Tem galera do airsoft aí?

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Entrevistamos um dos responsáveis pelo grupo de airsoft que tem impressionado no campo e na internet

Se você é fã de airsoft, então é bem provável que já tenha ouvido o bordão: “fala galera do canal, mais um dia de airsoft”. Ele é a saudação oficial do entrevistado de hoje aqui no blog INVICTUS. Estamos falando de Rodrigo Barcelos Porto Alves, ou simplesmente Rodrigo. Ele é o apresentador do canal GSG9, no Youtube, o cara na frente e por trás das câmeras. Mas o que ele gosta mesmo é de estar em combate, empunhando sua vasta coleção de armas.

Rodrigo é o “02” do GSG9, um time de airsoft fundado em 2007 e que tem ganhado notoriedade na internet pelos vídeos de combate filmados em primeira pessoa. O bate papo traz ainda curiosidades sobre o surgimento do airsoft – que já existe a bem mais tempo do que você imagina –, informações sobre a expansão da prática no Brasil e algumas histórias testemunhadas por Rodrigo nos campos de batalha.

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FICHA TÉCNICA

Rodrigo Barcelos Porto Alves

Idade: 39 anos

Cidade: Rio de Janeiro

Equipe: GSG9

Hierarquia na equipe: “02”, abaixo apenas do capitão.

Arma preferida: TODAS

Você pode falar de forma breve sobre a história do airsoft?

O airsoft surgiu no Japão, na década de 70, por iniciativa de um grupo de pessoas que gostavam de tiro, mesmo vivendo em um país onde civis são proibidos de portarem armas. Esse grupo criou o “armamento”, mas quem começou a confeccionar o equipamento em grande escala para o mundo, e do tipo AEG (arma de motor elétrico), foi uma empresa chamada Tokyo Marui.

         De que forma o airsoft se apresentou pra você aqui no Brasil? Como você o recebeu e como foi seu primeiro contato?

Achei o airsoft muito sem querer. Estava no Youtube procurando alguma coisa que, definitivamente, não passava nem perto do airsoft. Aí me deparei com um vídeo de um jogo que aconteceu aqui no Rio de Janeiro. Quando vi, percebi que era isso que queria pra mim. Mesmo assim demorei três meses pra conseguir saber por onde começar.

Meu primeiro contato foi através do Giovanni, que é o “01” e capitão da minha equipe hoje. Ele me levou pra ver um jogo e logo depois comprei minha primeira AEG pra participar das batalhas. Meu primeiro jogo foi um horror, eu estava mais perdido que cego em tiroteio, literalmente (risos). Lembro do primeiro tiro que tomei, doeu demais, foi no meio da testa. Ali pensei que não jogaria nunca mais, mas resolvi dar outra chance e estou aqui.

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         No que consistem as missões de airsoft? Existem variados objetivos? Elenque alguns deles, incluindo cenários.

Existem muitas missões diferentes no airsoft. Na verdade o céu é o limite. Tem resgate de refém, explosão ou desarme de bomba, extração de squad e tudo o que vier à cabeça. Nada é impossível de se fazer no airsoft, você só precisa ter um campo de jogo apropriado. Existem casos em que os campos não suportam alguns tipos de jogos. Temos campos para dez jogadores e campos para 500. Nesses maiores podem ser realizadas batalhas épicas, inclusive recriações de guerras que um dia aconteceram no mundo.

       Existe hierarquia nas equipes, especialidades de cada componente? Quais são os postos de cada integrante de tropa e suas funções?

Em todas as equipes existe alguma hierarquia. No GSG9 temos somente o capitão como ponto de referência. Não curtimos patentes militares fora de campo. Mas dentro de campo é claro que cada um tem sua função e segue ordens específicas. No campo temos os operadores de assault, que são uma espécie de “ponta”, a galera que vai na linha de frente do confronto. Temos também operadores DMR, que fazem cobertura ao pessoal de ponta a uma distância um pouco maior na hora da progressão. E, por fim, o sniper, que é muito importante para detectar inimigos a distâncias muito grandes e abatê-los para que a equipe siga na missão em segurança.

       Como a legislação é aplicada para o airsoft, existem regras? Quais são essas regras e como os jogadores lidam com essas normas? São realmente necessárias, existem demandas que ainda não são amparadas pela lei?

Hoje as leis ainda não se aplicam aos jogadores, mas para os armamentos, que hoje são controlados pelo Exército Brasileiro (Portaria 002 – Colog, de 26 de fevereiro de 2010). Já as regras de jogo mesmo foram feitas com o passar dos anos pelo mundo todo. Mas as regras são praticamente mundiais. Claro que cada País apresenta suas peculiaridades e algumas normas podem mudar de lugar pra lugar. Dentro do Brasil mesmo as regras podem variar um pouco, mas no fim o resultado é o mesmo.

Sinto falta no Brasil de leis que amparem o jogador de Airsoft, ainda não temos. Mas caminhamos a passos largos para que isso aconteça o quanto antes.

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       Como o GSG9 se formou? Como um novo integrante pode chegar no grupo, há uma espécie de batismo?

O GSG9 foi formado em 2007 por um grupo de amigos que resolveu fundar um time de paintball. Anos depois a equipe foi desfeita, houve um período de hibernação e acabou voltando com tudo já no airsoft.

Novos integrantes são sempre bem-vindos, geralmente convidamos a pessoa para conhecer melhor o jogo e o grupo. Depois disso a pessoa pode jogar conosco como convidado. A partir daí, se houver um casamento entre as partes, o novato é convidado a integrar a equipe.

Batismo? – risos. Existe sim. Nada de mais. O novato recebe o patch da equipe com o carinho que merece – um tapa no peito.

       Por ser uma prática relativamente nova, sabemos que às vezes não é fácil organizar boas equipes para realizar um jogo. Qual a dica que você dá para o pessoal, especialmente de centros menores, que querem se organizar como o GSG9?

Realmente, organizar jogos e pessoas não é uma tarefa nada fácil. Para cidades menores a união de equipes e jogadores é muito importante para facilitar na organização de jogos internos entre eles. Assim aparecerão novas equipes e novos jogadores para fazer parte dessa empreitada. Daí quem sabe nasce uma liga? Fica a dica.

       A gente percebe que os jogadores de airsoft são muito bem equipados. Existe uma padronização nos times? Alguma competição entre os melhores equipados?

Sim, o jogador de airsoft é muito bem equipado. As equipes procuram ter seu padrão próprio de uniforme, quase sempre ditado pela vegetação e campos onde atuam. Não existe competição dentro do airsoft, nem de jogos e muito menos de equipamentos. Quando conheci o airsoft achei um pouco exagerado o cara vestido de soldado dos pés à cabeça, mas quando comecei a praticar percebi o quanto cada um daqueles itens é importante para o jogo e para a segurança.

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       E o que é imprescindível em equipamentos para você quanto jogador?

Primeiramente um bom óculos de proteção, porque no airsoft não dá pra brincar com isso. Se a bolinha (munição), bater no seu olho você tem grande chance de ficar cego. E sabemos que isso não tem volta. Depois dos óculos acho muito importante uma boa bota. Sempre jogamos em lugares relativamente perigosos, com cacos de vidro, buracos e outras surpresas. Por isso acredito que esses dois itens são essenciais para a segurança do jogador. Claro que outras ferramentas também são, mas esses dois são prioridade pra mim.

       Já que estamos falando de ferramentas para potencializar as habilidades do operador, quais são as lesões e os riscos mais comuns nas partidas de airsoft? Tem alguma história mais dolorida pra contar?

Lesões e riscos são, relativamente, comuns no esporte. Muito disso por conta de não existirem lugares específicos para a prática. Jogamos em muitos lugares que estão fechados e praticamente abandonados como: fábricas, hospitais, colégios e por aí vai. Dentro desses ambientes todo cuidado é pouco para que nenhuma lesão aconteça. Já vi jogador entrar numa sala escura e cair num buraco de dois metros de profundidade. Só foi encontrado com a ajuda de uma lanterna. Menos mal que foram apenas algumas escoriações e luxações.

       A prática cresceu muito, em alguns casos pode até ser considerado esporte. Qual a expectativa para o futuro da modalidade? Olimpíadas de Los Angeles 2028?

Deus me livre! – risos. Já pensou o airsoft numa Olimpíada? Como eu faria? Tenho uma filha pequena que precisa do pai. Não posso ficar tanto tempo fora. Mas o futuro da modalidade é realmente ser reconhecida como esporte. Tanto que já temos a Confederação Brasileira de Airsoft. Vamos chegar lá, mas sem Olimpíadas, por favor.

       Neste espaço você pode deixar o seu alô e fazer suas considerações finais.

Agradeço demais à INVICTUS por essa chance de me expressar e poder mostrar um pouco de mim para os praticantes do nosso amado airsoft.

Sempre lembrando a todos que acordamos às 5 da manhã pra termos novas experiências e fazer novos amigos.

Sem união, amizade e honra o nosso esporte não vai a lugar nenhum. Então todo jogador deve fazer sua parte e andar dentro das normas impostas pela legislação brasileira, para que o esporte seja sempre lembrado como exemplo de organização. E vamos nessa porque hoje é “mais um dia de airsoft”.

E aí, gostou do bate-papo? Você pode conferir mais sobre airsoft e conhecer o trabalho do GSG9 clicando aqui.

 

Invictus

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