A tradução da glória

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Símbolos militares contam a história por meio de patriotismo, honra e disciplina

Eles estão em bordados imponentes ou pequenos detalhes compondo uma farda. Estão em cores, bandeiras e brasões complexos que só a heráldica pode decifrar. Tradição milenar, os símbolos, de modo geral, servem para diferenciar grupos de pessoas, etnias, nações, famílias, períodos dinásticos e imperiais; religiões, marcos históricos e até mesmo produtos.

Mas, para que um símbolo se torne de fato uma alegoria que represente seus ideais, ele necessita de uma construção conceituada, algo que anuncie determinado grupo sem que palavras obrigatoriamente sejam ditas ou gritos de guerra sejam bradados. Na matéria a seguir o blog INVICTUS aborda os “signos”, especificamente no meio militar, onde a ciência da simbologia está presente há eras.

O significado das coisas

É importante saber que para a construção de um símbolo é imprescindível, antes de tudo, um significado. É o que a semiótica (o estudo dos signos), explica relacionando as formas ao conteúdo. No caso de um brasão, por exemplo, cada elemento que o compõe (forma), trará consigo um conceito (conteúdo).

Já que falamos em ciência, vamos começar a abordagem visual com a forma mais clássica de descrever símbolos: a heráldica. Para isso tomamos como exemplo o brasão de armas da República Federativa do Brasil. Vamos analisá-lo?

Encomendado pelo primeiro presidente da história republicana brasileira, Marechal Deodoro da Fonseca, o brasão de armas da nação possui a seguinte especificação: “é um escudo azul-celeste, apoiado sobre uma estrela de cinco pontas, com uma espada em riste. Ao seu redor, está uma coroa formada de um ramo de café frutificado e outro de fumo florido sobre um resplendor de ouro.

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Assim está construído o que talvez, ao lado da bandeira nacional, seja o símbolo máximo da pátria. Ele é de uso obrigatório pelas Forças Armadas e pelos Três Poderes, ornamentando todos os prédios públicos do País.

Por falar da bandeira nacional, também vamos “desmembrá-la”. A bandeira brasileira que conhecemos hoje sofreu apenas adaptações da bandeira do Império Brasileiro. Com a Proclamação da República, em 1889, o escudo imperial português deu lugar ao círculo azul com estrelas na cor branca.

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De forma simples, pode-se explicar o estandarte do Brasil como: a esfera azul estrelada representando o céu, com a frase “Ordem e Progresso” ao centro; as 27 estrelas representam os 26 Estados da Federação, mais o Distrito Federal; o losango amarelo é o ouro, e o retângulo verde as matas e florestas.

Porém, de forma mais apurada, historiadores garantem que na verdade as cores foram escolhidas por outros motivos. O verde é a cor da Casa de Bragança, a família real portuguesa; e o amarelo representa os Habsburgos, a família da imperatriz Leopoldina.

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Confira alguns símbolos militares

Tomando como referência as Forças Armadas do Brasil, a defesa do País é composta pela Marinha, Exército e Aeronáutica, consideradas as policias militares (estaduais) e Corpo de Bombeiros forças auxiliares e de reserva do Exército. Estas instituições abrangem diversas atividades e norteiam a carreira militar de seus combatentes, confira alguns exemplos.

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As forças da Infantaria são representadas por dois fuzis cruzados com uma granada ao centro.

Cavalaria que exibe duas lanças cruzadas com bandeirolas e um laço da mesma cor ao centro.

Artilharia simbolizada por um candeeiro incandescente.

Engenharia com um castelo da cor azul turquesa.

Comunicações indicada como um círculo com setas apontando os quatro pontos cardeais.

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Brasão do Exército (foto de capa) “é formado por um resplendor de vinte lâminas, cruzado no seu eixo vertical, de baixo para cima, por um sabre prata, este sobreposto por três elipses, nas cores verde, amarelo e azul, contendo, este último, a constelação do Cruzeiro do Sul na cor prata”, explica a Portaria Oficial do Comando.

 

Considerada a elite da Marinha do Brasil, e também um dos braços militares mais antigos da nação, o Corpo de Fuzileiros Navais também descreve seu símbolo.

De acordo com a Marinha: “num escudo boleado, encimado pela coroa naval e envolto por elipse feita de cabo de ouro terminado em nó direito, em campo de ouro, duas alabardas, de vermelho, passadas em aspa, tendo superposta uma granada, de preto e chamejante de vermelho. No cantão da sinestra do chefe, uma âncora, de vermelho, disposta em contrabanda.”.

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O que pode ser explicado historicamente como: “no campo de ouro, metal evocativo de força e poder, o conjunto heráldico é aquele constante do primeiro escudo do Regimento Naval, predecessor do Corpo de Fuzileiros Navais. A granada chamejante reporta-se à Brigada Real da Marinha, que, criada em 1797 por Alvará de D. Maria I, Rainha de Portugal, era responsável pela artilharia e defesa dos navios que conduziram a Família Real Portuguesa e sua corte para o Brasil, e que posteriormente passou a ser considerada como a célula mater do CFN.”.

Os símbolos da hierarquia

Além de símbolos para demarcar especialidades, batalhões e grupamentos, as insígnias militares também servem para estabelecer a hierarquia militar, realizando a separação dos postos e responsabilidades; dos graduados aos oficiais superiores e generais.

Essa diferenciação é facilmente observada por meio das insígnias que os militares carregam em suas fardas, geralmente nas ombreiras e mangas de seus fardamentos. Confira no quadro abaixo e saiba identificar a graduação dos policiais militares.

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Curiosidades da guerra

É claro que a melhor parte de toda essa pesquisa por trás de símbolos de orgulho e caracterização de um grupo se concentra na história, na união da criatividade com os fatos que eternizaram marcas e até mesmo expressões populares. A seguir listamos três curiosidades sobre o tema.

Nem tudo é o que parece

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É um símbolo que causa arrepios, dor e uma vontade imensa de rasgar todas as páginas de um período ruim. Estamos falando da cruz suástica. Utilizada como grande pavilhão do Nazismo, a cruz já existia há milênios, muito antes de ser mal utilizada por doutrinas políticas doentias.

Antes de ganhar a má fama, a cruz suástica era tida apenas como parte da simbologia mística utilizada por diversas religiões espalhadas pelo mundo, de Astecas a Hindus. No Japão, por exemplo, o símbolo é utilizado para identificar templos e santuários em mapas.

Um caso onde a controvérsia desperta descobertas fascinantes por trás de símbolos mal empregados ou mal compreendidos.

E a cobra fumou!

Talvez uma das insígnias mais irônicas e inteligentes já nascidas entre militares seja a da Força Expedicionária Brasileira (FEB).

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Mas por que uma cobra fumando um cachimbo? No final de 1944, havia quem fizesse pouco caso quanto uma possível participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. Fato é que a Força Expedicionária foi lutar, contrariando a mídia que afirmava: “é mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra”. A imagem abaixo explica o desfecho.

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Senta a Púa!

Seria uma forma clássica de dizer “manda bala”? Pode ser. Senta a Púa foi o clássico grito de guerra do 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira que rasgou os ares da Europa na Segunda Grande Guerra. Os caras não estavam pra brincadeira mesmo, e além de fazerem a cobra fumar, fizeram avestruz cuspir chumbo do alto de seus aviões P-47 Thunderbolt.

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Dentro de um círculo com linhas verde e amarela, um fundo vermelho que representa o hostil e sangrento céu de guerra; um avestruz piloto traja um quepe da FAB, ele representa a maleabilidade e velocidade do avião, e também o “estômago” dos pilotos, que comiam qualquer comida.

O mascote está sobre uma nuvem que representa o chão do aviador, porta um revólver que apresenta o poder de fogo do Thunderbolt e um escudo azul com o Cruzeiro do Sul, em defesa do Brasil. Os estilhaços de um flack faz alusão à pesada artilharia aérea inimiga.

É evidente que o mundo da simbologia militar é gigantesco, com inúmeras curiosidades e símbolos que eternizam a história misturando a arte e a bravura. E aí, quais os símbolos militares que mais lhe intrigam? Qual a história de guerra que mais lhe impressiona? Diferenças à parte, a história do militarismo caminha ao lado de seus ícones, permitindo, sobretudo, que jamais nos esqueçamos de nossos heróis.

 

Invictus

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