A arte de desaparecer

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Considerada uma arte em meio à guerra, camuflagem é preceito fundamental da estratégia.

Símbolo icônico do meio militar, a camuflagem integra uma espécie de escola artística da guerra. Ciência fundamental na estratégia de combate, o estudo para o desenvolvimento de camuflagens cada vez mais eficazes apresenta e demanda muita tecnologia. Não é à toa que as técnicas de invisibilidade ganharam destaque ao longo do tempo, hoje, inclusive, fomentando competições internacionais que “enganam”, surpreendem e fascinam olhares atentos em busca do operador escondido.

Mas o mercado da camuflagem e a busca da invisibilidade por tropas do mundo inteiro já aprendeu muito na dor, com a perda de combatentes que se tornavam alvos fáceis sem as estampas especiais. Nesta matéria vamos nos aprofundar um pouco mais na história da camuflagem, seus usos e modelos específicos.

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Existem 12 militares camuflados nessa mata, quantos você consegue identificar? A resposta está no final desta matéria.

 

A camuflagem na história

Sabe-se que cores são formas importantes na demonstração e exaltação do orgulho de uma nação ou tropa. Desfazer-se deste paradigma cheio de simbolismos foi complicado, mas mostrou-se necessário da pior maneira. No século 19, por exemplo, durante a Guerra Franco-Prussiana, o Exército francês amargou significativas baixas em sua infantaria. O motivo? As calças de cor vermelha gritante que se destacavam nas zonas de conflito (florestas de predominância verde), o que tornou os franceses alvos fáceis perante os inimigos.

Protagonista de uma história recente, chegada com a invenção dos rifles de longa distância no século 18, a camuflagem começou com conceitos de roupas que meramente fardavam soldados com cores verde-floresta ou cinza campo. Na Primeira Guerra Mundial, um estilo de camuflagem inovadora, a “dazzle”, foi utilizada em navios. A intenção era que as grossas listras alternadas entre preto e branco viessem confundir instrumentos medidores de distância/profundidade de campo de embarcações. Técnica que não demorou muito para ganhar uso também das tropas de solo.

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Em alto mar e à distância, camuflagem “dazzle” ajudava a confundir a percepção do inimigo.

 

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Ainda sobre o “dazzle”, camuflado foi um dos primitivos em campo.

 

A arte da guerra, ou a guerra e a arte

Mais adiante, na Segunda Guerra Mundial, surgiram as camuflagens que deram início aos modelos tradicionais utilizados até hoje. Com rostos pintados e fardamentos com manchas em forma de “rins”, em tons verdes e marrons, os soldados foram combater na guerra mais famosa do mundo.

Ainda na evolução da camuflagem, no final da Segunda Guerra, pintores modernistas pegaram emprestadas referências dos movimentos artísticos cubista e surrealista, e de arte óptica para criar ilusões que se misturavam às paisagens naturais. Tendência que acabou ganhando também mercados além dos fronts militares, no uso diário do vestuário civil como parte do lifestyle.

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O digital invade o têxtil

Nos anos 70 os Estados Unidos desenvolveram a versão primitiva do que hoje é conhecido como “digital”, a chamada “textura dupla”. O estilo, composto de quadrados de cor (de tamanhos alternados), para imitar dois padrões de uma só vez, era efetivo a várias distâncias. Somente mais tarde a “digitalização da camuflagem” ganhou os computadores.

Mas nem tudo foram flores com a chegada da tecnologia cibernética aos campos de batalha. Nos anos 2000, por exemplo, o governo estadunidense praticamente investiu cerca de 5 bilhões de dólares em um projeto de aperfeiçoamento de camuflagem que não teve relação duradoura com seus soldados.

O UCP, sigla em inglês para Padrão Universal de Camuflagem, pretendia, com estampas pixeladas, se adequar a qualquer cenário, mas a Guerra do Iraque atestou que a tecnologia “apta a qualquer situação” não funcionava de forma efetiva em todos os biomas. Por esta razão, no caso específico das Forças estadunidenses, a camuflagem foi substituída pela eficiente Scorpion, uma derivação ligeiramente modificada do Multicam, que sofreu alteração de nomenclatura para atender ao Exército dos EUA.

Mas, ainda que o investimento não tenha dado certo para as pretensões de criar uma camuflagem multiuso, chamar a concepção do Digital UCP de fracasso é exagero. A camuflagem não é ideal para todas as situações que pretendia abraçar, mas se mostra eficiente em regiões singulares, por exemplo. O projeto serviu também como objeto de estudo e pesquisa para a constante evolução da área.

Isso prova que, por mais que a tecnologia do design e os estudos de percepção ocular humana avancem a passos largos, cada cenário ainda possui estampas específicas para confundir adversários com mais precisão. Abaixo reunimos a família de camuflados disponíveis nos produtos INVICTUS para aprofundar e ilustrar o tema.

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Tipos e usos

Até o momento (março de 2017) a linha de vestuário e mochilas INVICTUS conta com nove tipos de camuflagens, são elas: A-TACS AU, A-TACS FG, MULTICAM, MULTICAM BLACK, REALTREE, DIGITAL DESERTO, DIGITAL ACU, FRANCÊS e KRYPTEK MANDRAKE. Todas passaram por anos de estudos e desenvolvimento científico para trabalhar em harmonia com a paisagem natural e atingir os níveis máximos da invisibilidade.

As estampas da família “A-TACS”, que em inglês forma a sigla que significa Sistema de Ocultação Tática Avançada, contemplam cores puxadas para tons desérticos e arenosos, como o caso do A-TACS AU. Já o FG apresenta tons mais escuros que flertam entre o bege forte e pequenas manchas verdes e marrons, ideais para terrenos onde o solo rochoso encontra vegetação um pouco mais densa e até mesmo florestas.

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Multicam Black, o preferido de quem respira operações táticas.

 

As do estilo Multicam se revezam entre o uso diurno (cores que se assemelham às camuflagens militares tradicionais de selva um pouco mais amenas), e noturno. No caso da Multicam Black, suas cores predominantemente escuras tornam a camuflagem ideal para atividades táticas no escuro, já que o dégradé entre o cinza escuro e o preto se mesclam com atmosferas sombrias e prediais.

O desenho da Realtree, em sua tradução literal, “verdadeira árvore”, serve sobretudo aos praticantes de caça. Seu estilo lembra galhos e folhagens secas. Uma linha que abraça regiões de savana e pantanosas é a Kryptek Mandrake, que chega a remeter também às peles reptilianas.

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Camuflagem “Francês”, um clássico de guerra.

 

Nas famílias do digital a INVICTUS apresenta os pixelados Digital Deserto e Digital ACU. O “deserto” tem tonalidades beges que lembram a aridez comum ao tipo de terrenos a qual é destinado. Já o ACU – desenhado para cumprir um padrão universal de camuflagem – exibe tons cinza azulados.

Por último, mas com certeza não menos importante, está a camuflagem Francês. Que é o estilo de manchas bem definidas e que, talvez, a maioria das pessoas mais associem ao padrão militar. Seu desenho mistura formas de “rim” pintadas em coloração preta, bege, marrom, verde e creme.

 

Ficar invisível não depende só da estampa, mas de técnica

Está bem claro na missão INVICTUS. Nós somos um braço fundamental na construção de guerreiros abnegados e prontos para desafios. Mas apenas bons equipamentos não asseguram sucesso nas jornadas. É por isso que sempre levantamos a bandeira de que ferramentas essenciais são 100% eficazes quando o operador é habilitado ao uso. Para desaparecer camuflado não é diferente. Abaixo elencamos técnicas importantes.

O combatente deve estar sempre atento para o plano de fundo de seu cenário. Desta forma a escolha da camuflagem ideal passa por critérios de coloração de árvores, arbustos, mata e grama; lama, terra e até mesmo estruturas como pedras, ruínas e destroços. Outro ponto relevante é a textura dos elementos que compõem a paisagem.

Em um dia de sol forte e muita claridade, o operador pode ser visto com facilidade, mas nas sombras o panorama muda. Tanto de dia como na escuridão, a penumbra deve ser aproveitada como elemento que auxilia a camuflagem.

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Saliências denunciam qualquer combatente. É importante estar condicionado fisicamente para manter a estratégia e permanecer pelo tempo necessário deitado ou agachado. Silhuetas baixas são dificilmente identificadas pelo oponente.

Muitos perguntam por que instrumentos táticos têm tons pretos como predominantes. É justamente para não tornar o operador alvo fácil. Equipamentos de cores escuras não refletem a luz, esse é um cuidado básico. Gerar brilho e reflexos num campo de batalha pode significar suicídio. Desta forma, a precaução com lentes de binóculos e óculos de sol, por exemplo, é fundamental.

Num campo limpo e vasto, figuras podem ser vistas com facilidade em linhas no horizonte. Ao patrulhar uma área com grande profundidade de campo, é preciso escolher trechos mais estreitos para avançar. À noite, por exemplo, alguns deslocamentos são denunciados quando expostos à claridade lunar.

Modificar formas familiares é uma boa maneira de disfarçar sua presença em campo. As silhuetas de armas e do corpo humano são extremamente conhecidas e de fácil identificação. Com isso o combatente pode incrementar sua camuflagem com capas especiais, os “ghillie suit”.

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Silêncio! Parece básico, mas se as ondas sonoras da progressão em cenários que exijam camuflagem não forem quase nulas, nem o melhor dos disfarces poderá lhe salvar. A comunicação por meio de sinais ou toques deve substituir qualquer tipo de barulho. Falas devem ser utilizadas somente em exceções e, mesmo assim, em tons baixíssimos.

Técnicas de invisibilidade são diferenciais em combate. Não seja a presa. Observe, não seja observado. E não se esqueça, por mais invisível que você possa estar, esteja sempre PRONTO PRA TUDO com INVICTUS. Camufle-se e mande seu desempenho pra gente. #CamuflagemInvictus

Ah, agora que você chegou ao final da matéria e aprendeu um pouco mais sobre o mundo da camuflagem, a gente revela o resultado do desafio que lançamos no começo do texto.

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E aí, quantos você identificou?

Invictus

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